Nick entrou na cozinha com uma cara de tédio.
— PAPAI, o que tem pro jantar?
PAPAI, sorrindo, respondeu:
— Macarronada!
— Ah, de novo? — Nick se sentou cruzando os braços.
PAPAI, percebendo que tinha algo errado, se sentou ao lado dela.
— Achei que você gostasse de macarronada, Nick.
— Eu gosto, PAPAI, mas eu tô cansada de todo dia ser a mesma coisa! Parece que nada muda!
— Ainda estamos falando da macarronada? — Perguntou PAPAI, dando uma piscadela.
Nick ficou constrangida; ela simplesmente soltou algo que queria dizer, mas não daquele jeito.
— Me desculpe, PAPAI.
— Pelo quê?
— Eu tô descontando minha frustração em você. Realmente, não é culpa da macarronada, aliás é meu prato preferido e eu comeria pro resto da vida sem problema nenhum.
PAPAI gargalhou com a honestidade da menina.
— Então qual é o verdadeiro problema, minha pequena?
— Os dias... são sempre iguais. Parece que nada vai mudar. Qual é meu propósito aqui? Nascer, crescer, envelhecer e morrer? Parece meio sem sentido se no final vai tudo acabar...
O silêncio se instalou na cozinha por alguns instantes, quebrado apenas pelo som do molho borbulhando na panela. PAPAI levantou-se, serviu dois pratos generosos e colocou um na frente de Nick.
— Sabe, Nick — começou ele, voltando a se sentar — a macarronada de hoje tem exatamente os mesmos ingredientes da semana passada. Trigo, tomate, temperos. Se você olhar só para a lista de compras, é um ciclo repetitivo e até meio bobo.
Nick olhou para o prato, ainda com a expressão nublada.
— Mas — continuou PAPAI — o segredo não está no destino final do tomate, que é virar molho. O segredo está no tempo que ele passou no fogo, no manjericão que eu decidi colocar hoje porque o dia estava nublado, e no fato de que estamos aqui, sentados, dividindo esse momento. O sentido não está no "final de tudo", mas no "agora de cada coisa".
— Então o propósito é só... comer a macarronada? — Nick esboçou um meio sorriso.
— O propósito é entender que a repetição é o que nos dá a chance de fazer melhor. Se a vida fosse um evento único e sem rotina, a gente não teria tempo de aprender a saborear nada. A gente corre tanto pensando no "envelhecer e morrer" que esquece que o "viver" acontece nos intervalos. O sentido da vida não é um troféu que você ganha no final da corrida, Nick. É a música que toca enquanto você ainda está na pista.
Nick deu a primeira garfada. O sabor estava incrível, como sempre, mas hoje parecia ter um toque diferente. Talvez fosse o manjericão, ou talvez fosse a percepção de que a mesmice dos dias é, na verdade, uma folha em branco esperando por um novo olhar.
— É — disse ela, mastigando devagar. — Acho que hoje a macarronada está com um propósito bem especial.
PAPAI sorriu, satisfeito. Às vezes, para mudar o mundo, a gente só precisa mudar o tempero do que já conhece.
Que possamos aproveitar cada vez mais o aqui e o agora, o nosso hoje que é um presente dado pelo Senhor. Não importa se a sua rotina é cansativa, entediante, agitada ou monótona, o que realmente importa é que o Senhor esteja presente em todos os momentos e que você possa desfrutar de cada detalhe como se fosse único, porque de fato é!

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