PAPAI cantarolava na cozinha enquanto fazia o café da manhã. O som começou a passear pela casa inteira, chegando docemente ao quarto de Nick, que ainda estava dormindo. O tempo estava nublado, com uma garoa fina e um friozinho que pedia uma bebida bem quentinha.
O som entrou lentamente pelos ouvidos de Nick, que começou a ouvir bem distante, e aos poucos foi ficando mais alto e nítido. Nick, aos poucos foi abrindo os olhos e quando percebera o que era aquele som, seus lábios esboçaram um sorriso de paz. A presença de PAPAI era tão doce, delicada e agradável que nem nos melhores sonhos ela poderia se sentir assim. Acordar com essa melodia era um privilégio.
Ela se levantou, escovou os dentes e foi atrás de PAPAI. Ao vê-lo de costas, foi correndo abraçá-lo. PAPAI, "surpreendido", a abraçou de volta e gargalhou.
Nick adorava o som da risada de PAPAI e PAPAI adorava o carinho sincero de Nick.
— PAPAI, eu adoro suas músicas! — Os olhos de Nick brilhavam de alegria.
— E eu sei outra coisa que a senhorita adora também. — PAPAI se virou com duas canecas grandes de chocolate quente com pequenos marshmallows em cima.
Nick não conteve a alegria e logo pegou a caneca para dar uma boa golada.
— Ei, pequena, cuidado, acabei de tirar do fogo...
Era tarde demais para o alerta, a menina afoita de alegria tossia e estava com os olhos cheios de lágrimas pois o líquido quente desceu "rasgando" sua garganta.
PAPAI, com um reflexo rápido e sereno, pousou sua própria caneca no balcão e gentilmente segurou a de Nick, apoiando-a com segurança. Com a outra mão, ele afagou as costas da menina enquanto ela recuperava o fôlego.
— Calma, Nick, respira fundo — disse ele, a voz transmitindo uma tranquilidade que logo fez o susto dela diminuir. Ele pegou um copo de água fresca e entregou a ela. — Beba devagar agora.
Nick bebeu a água, sentindo o alívio imediato na garganta ardida. Ela olhou para baixo, um pouco envergonhada, os olhos ainda marejados.
— Me desculpe, PAPAI. Eu fiquei tão animada... parecia tão gostoso.
PAPAI sorriu, um sorriso compreensivo que enrugou levemente os cantos de seus olhos. Ele puxou duas banquetas para perto da bancada da cozinha e fez um gesto para que ela se sentasse ao seu lado.
— Não precisa pedir desculpas por ter alegria, pequena. Mas lembre-se: as melhores coisas da vida, as mais doces e reconfortantes, precisam do tempo certo para serem apreciadas. Se formos afoitos demais, podemos acabar nos machucando e perdendo o verdadeiro sabor daquilo que nos foi preparado com tanto carinho.
Nick assentiu, absorvendo as palavras. Ela olhou para a janela. A garoa fina continuava a cair, embaçando os vidros, mas ali dentro a cozinha estava perfeitamente aquecida.
— É como a sua música? — ela perguntou, curiosa, voltando o olhar para ele. — A que o senhor estava cantarolando. Ela começou bem baixinha e foi crescendo devagar, no tempo certo, até me acordar de um jeito bom.
— Exatamente como a música — PAPAI concordou, pegando sua própria caneca e soprando levemente o vapor. — Cada nota tem o seu tempo, cada pausa tem o seu propósito. Se tocarmos tudo de uma vez sem respeitar o tempo, vira apenas barulho.
Eles ficaram em silêncio por alguns instantes, apenas ouvindo o tamborilar da chuva no telhado. Quando Nick finalmente pegou sua caneca novamente, o chocolate estava na temperatura perfeita. Os marshmallows haviam derretido um pouco, formando uma espuma cremosa.
Ela deu um pequeno gole. O sabor era incrível, aconchegante e seguro.
— Viu só? — PAPAI piscou para ela. — A paciência sempre tem um gosto melhor no final.
Nick sorriu, aninhando-se na banqueta, com o coração tão aquecido quanto a bebida em suas mãos.
A paciência não é apenas sobre aguentar coisas desconfortáveis, é também sobre esperar o tempo certo para apreciar as boas.
Que em nossos momentos de euforia, possamos parar e escutar a voz de PAPAI antes de tomarmos atitudes por impulso, atitudes que possam estragar o nosso momento "perfeito".

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