Quando carregamos um peso que não é nosso

mochila aberta cheia de pedras dentro - desenho em aquarela digital

Nick estava há dias com algo incomodando seu coração. Ela queria falar com PAPAI, mas sentia muita vergonha pela situação, não conseguia nem dizer em voz alta pois aquilo parecia muito estranho. Ela estava no quarto andando de um lado para o outro, quando parou, olhou no espelho e o coração começou a bater mais rápido. Um nó na garganta abafou seu grito, sua testa começou a suar frio e lágrimas brigavam para sair de seus olhos. Ela respirou, respirou e respirou, e conseguiu conter aquele começo de crise. Foi para a cozinha decidida a falar com PAPAI, mesmo que parecesse ridículo tudo aquilo.

— PAPAI?

— Sim, minha pequena. — PAPAI era sempre gentil. Ele sabia de tudo, sempre sabia, mas queria que Nick pudesse contar para Ele o que ela quisesse. 

— Eu... bem, eu... — Nick não sabia por onde começar. — PAPAI, eu...

PAPAI secou as mãos no pano de prato, sentou-se de frente para Nick e a olhou bem fundo nos olhos. 

— Filha, estou te ouvindo. Nada do que você me contar vai fazer com que eu te ame menos ou mais. Meu amor por você é incondicional. - Disse gentilmente com um sorriso.

Nick sorriu sem jeito. As palavras de PAPAI eram reconfortantes, mas ela continuava com uma certa vergonha. Ela olhou para as próprias mãos, brincando nervosamente com a barra da camisa.

— É que eu me sinto tão... falha — a voz dela saiu como um sussurro quebrado. — Parece que todos ao meu redor sabem exatamente o que estão fazendo, para onde estão indo. E eu? Eu só sinto que estou tropeçando em mim mesma. Tenho medo de decepcionar o Senhor. Tenho pensamentos que me assustam e sinto que não sou forte o suficiente.

O silêncio na cozinha não foi opressor, mas sim como um abraço invisível. PAPAI esticou a mão sobre a mesa e tocou suavemente os dedos trêmulos de Nick.

— Minha pequena Nick — a voz d'Ele carregava uma ternura infinita. — Quem disse que eu espero a perfeição de você? A jornada não é sobre nunca tropeçar, mas sobre quem segura a sua mão quando você perde o equilíbrio.

Uma lágrima teimosa finalmente escapou dos olhos de Nick, traçando um caminho quente por sua bochecha. Mas, dessa vez, não era uma lágrima de desespero ou de pânico. Era alívio. O nó na garganta começou a se desfazer por completo.

— Mas e a bagunça que eu sinto aqui dentro? — ela perguntou, apontando para o próprio peito.

— A bagunça faz parte do processo. Você está crescendo, enfrentando o mundo. E isso dói, gera dúvidas, faz a gente se sentir inadequado às vezes. Mas não há nada, absolutamente nada, que você pense ou sinta que possa me assustar. Eu conheço cada canto do seu coração, até aqueles que você tenta esconder de si mesma.

Nick soltou o ar que nem percebera que estava prendendo. A vergonha, que antes parecia um monstro gigante prestes a devorá-la, agora murchava sob o peso daquelas palavras de aceitação.

— Eu só precisava... tirar isso de mim — ela confessou, sentindo os ombros finalmente relaxarem.

— Eu sei. E a cadeira de frente para mim estará sempre disponível, esperando por você, seja para chorar, para desabafar ou apenas para ficarmos em silêncio juntos. Não carregue pesos que não foram feitos para as suas costas. — PAPAI sorriu, apertando a mão dela de leve. — Agora, que tal me ajudar a preparar o jantar?

Nick sorriu de volta, um sorriso verdadeiro e leve dessa vez. O peso do mundo já não estava mais sobre ela. Havia sido entregue nas mãos certas.

Nós temos a mania de acharmos que Deus não sabe o que se passa em nossa mente e coração, achamos que Ele pode se assustar, pode ser pego de surpresa... Quando na verdade Ele já sabe de tudo, até mesmo d do que não contamos pra ninguém. Por que então insistimos em carregar pesos que não precisamos? Por que deixamos que tudo seja tão "grande"quando na verdade não é? Porque ainda somos como crianças e precisamos da direção de PAPAI, do seu amor e acolhimento.

Que nesse dia, possamos ter a certeza que podemos falar tudo para PAPAI! 

Ele já sabe de tudo, Ele é gentil e respeita nossa vontade, então ira nos ajudar se pedimos ajuda. 

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