PAPAI estava lendo tranquilamente, sentado em sua poltrona na sala. Nick apareceu na porta com os olhos curiosos e o coração cheio de dúvidas. Ficou encarando PAPAI, até ele abaixar o jornal na altura dos olhos e erguer uma das sobrancelhas. Ela continuou encarando. Ele abaixou completamente o jornal e sorriu. Nick sorriu de volta e assim se sentou no sofá ao lado.
— PAPAI, eu preciso fazer uma pergunta... mas tenho medo da sua resposta...
— Minha pequena, é melhor ter uma resposta do que ficar com dúvidas em sua cabecinha. — PAPAI tocou com carinho na testa da menina.
— É que, eu quero muito sempre fazer o que te agrada, mas e se o que eu tô fazendo não te agrada eu vou ter que parar de fazer. Mas eu realmente gosto do que estou fazendo, então eu realmente não sei se devo perguntar ou não... - As palavras saiam rápido da boca de Nick e ela sem querer aumentava o tom de voz com o nervosismo.
— Nick, algumas coisas parecem boas e certas aos seus olhos, mas apenas lá na frente você vai enxergar as consequências, por isso em alguns casos Eu peço para se afastar ou ir por outro caminho, porque Eu consigo ver o que você ainda não consegue. - A voz mansa de PAPAI contrastava com a ansiosa de Nick.
— Está bem... Eu li hoje no livro antigo que "as más companhias corrompem os bons costumes", e fiquei refletindo se os meus novos amigos entram nisso... Eu gosto muito deles, PAPAI, e fazia muito tempo que não me sentia tão feliz com amizades. Mas eu sei que eles não têm a mesma fé que eu e que até fazem umas coisas que não são legais, mas eles não são más pessoas... Eu tô confusa... Eu... tenho que me afastar deles? — Essa última pergunta saiu baixinho, com um aperto enorme no coração.
PAPAI olhou para Nick com uma ternura que pareceu aquecer o ambiente inteiro. Ele não respondeu imediatamente; em vez disso, ajeitou-se na poltrona e cruzou as mãos sobre o colo.
— Minha pequena Nick... — a voz de PAPAI era suave e profunda. — Sabe a diferença entre um barco navegando no oceano e um barco afundando nele?
Nick franziu a testa, tentando entender a mudança de assunto, mas confiando na direção da conversa.
— O barco que afunda está cheio de água? — arriscou.
— Exatamente. O barco foi desenhado e construído para estar na água. Ele precisa da água para navegar, cumprir o seu propósito e ir aos lugares onde precisa estar. Mas a água do mar não pode entrar nele. Se a água salgada invadir o convés de forma constante, o barco perde o controle, fica pesado e, eventualmente, afunda.
Ele fez uma pausa, deixando a metáfora pousar suavemente no coração de Nick.
— Você é como esse barco. Foi feita para estar no mundo, para conviver com as pessoas, amá-las e ser luz na vida delas. Eu não quero que você viva isolada em uma ilha deserta, longe de todos que pensam ou agem diferente de você. Mas...
O olhar de PAPAI tornou-se mais focado, embora continuasse extremamente acolhedor.
— O perigo das "más companhias" não é simplesmente estar perto delas. O problema é quando as atitudes, os hábitos e as escolhas que não Me agradam começam a entrar no seu coração, como a água invadindo o barco. Se você começar a achar normal o que antes a incomodava, ou se sentir vontade de abandonar os seus valores para se encaixar... então a água está entrando.
Nick abaixou o olhar para as próprias mãos, assimilando cada palavra.
— Acho que entendi... Eu não preciso parar de falar com eles imediatamente, mas preciso tomar muito cuidado para não começar a agir como eles.
— Exatamente — PAPAI abriu um sorriso largo, orgulhoso da sabedoria da menina. — Você pode ser a âncora e o farol na vida deles, mostrando um caminho melhor através do seu exemplo e do seu amor. Mas, se em algum momento você sentir que a correnteza deles está arrastando você para longe de Mim, então você precisará ter a coragem de remar para longe. O seu coração é um tesouro muito precioso, Nick. Proteja-o.
Um longo suspiro de alívio e clareza escapou dos lábios de Nick. O aperto no peito havia desaparecido completamente, sendo substituído por uma nova e forte determinação. Ela encostou a cabeça no ombro de PAPAI.
— Obrigada, PAPAI. Eu prometo que vou vigiar o meu barquinho.
Nosso Deus é um Deus que ama relacionamentos, por isso que Ele anseia por ter um conosco. E Ele quer que nos relacionamos com as pessoas a nossa volta, para que nossa vida possa guia-las para Ele também. A maioria das vezes, o seu testemunho é o que vai levar ou não alguém a Cristo. Por isso, não se isole, mas se mantenha vigilante para que ao invés de contagiar você seja corrompido.

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