Quando as promessas parecem esquecidas
Nick mexia em uma pilha de caixas no fundo do armário. Estava procurando uma coisa, encontrou outra. Era uma caixa pequena, azul-claro, com desenhos feitos por ela mesma — rabiscos de coração, uma cruz tortinha e a palavra “Promessas” escrita com caneta colorida.
Ela abriu. Lá dentro, pedaços de papel dobrados com cuidado. Versículos, palavras proféticas, anotações de cultos antigos. Cada papel trazia algo que, um dia, ela acreditou que aconteceria.
— Faz tanto tempo… — murmurou, lendo uma das promessas que dizia: “Ainda te mostrarei coisas grandes e ocultas que não sabes.”
PAPAI se aproximou devagar e se sentou ao lado dela no chão. Ele olhou a caixa com carinho.
— Faz mesmo — Ele disse com um sorriso suave. — Mas elas não envelhecem, filha. Promessa minha não tem data de validade.
O tempo dEle não é o nosso tempo
Nick suspirou e encolheu os ombros.
— É que eu achei que já teria visto algumas delas acontecerem. Eu orei. Esperei. Mas… nada.
PAPAI se inclinou e pegou um dos papéis.
— Você lembra do que acontece quando se planta uma semente?
— A gente rega, cuida… e espera — ela respondeu, sem muita convicção.
— Exato. Mas e se alguém cavar todo dia para ver se ela cresceu? — Ele levantou a sobrancelha, brincando.
— Ela não cresce direito… ou morre.
— Algumas promessas são como sementes profundas. Elas não brotam rápido porque estão criando raízes fortes.
Nick olhou para a caixa, dessa vez com um pouco mais de respeito. Como se o conteúdo dela estivesse vivo, crescendo devagar, sob a terra da fé.
Enquanto espera, Ele trabalha
— E o que eu faço enquanto espero? — ela perguntou, com os olhos marejados.
PAPAI segurou suas mãos entre as dEle, firmes e quentes.
— Você vive. Confia. E Me deixa trabalhar. Quando o tempo chegar, vai ser mais bonito do que você imaginava.
Ela respirou fundo, como quem tira o peso de muitos anos das costas.
— Tá bom. Mas posso pelo menos reler de vez em quando?
— Sempre que quiser. E se o coração apertar, Me chama. Eu lembro de cada palavra que prometi.
Nick fechou a caixa devagar. Não como quem guarda algo esquecido, mas como quem confia que um dia abrirá de novo — para ver cada promessa cumprida, uma a uma.

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