A carta sem palavras
Nick estava sentada no gramado do quintal, cercada pelos livros da escola e um caderno de anotações, mas a mente estava longe. Ela andava pedindo respostas a PAPAI. Escrevera perguntas em seu diário, esperava ouvir algo. Mas os céus pareciam mudos.
Foi então que PAPAI apareceu, com um envelope branco nas mãos.
— Uma carta? — ela perguntou, animada.
Ele entregou com um sorriso e saiu sem dizer nada.
Nick abriu, ansiosa. Mas ao desenrolar o papel, o coração murchou: estava em branco.
Ela franziu a testa.
— Isso é uma brincadeira?
Mas quando ia amassar o papel, algo a impediu. Tinha algo ali. Não escrito, mas presente.
Os sinais que só o coração entende
Nick foi até PAPAI, ainda com o envelope nas mãos.
— PAPAI, isso aqui… é uma resposta?
— Sim — Ele respondeu, sentado na varanda, olhando o céu.
— Mas não tem nada escrito!
— Minha pequena, há respostas que não precisam de palavras. Eu também falo no silêncio, nos detalhes, nas entrelinhas. Só que você está acostumada a Me ouvir com os ouvidos… e Eu quero que você aprenda a Me ouvir com o coração.
Ela sentou ao lado dEle, ainda meio confusa.
— Então o Senhor fala quando o sol esquenta devagar depois de um dia frio? Ou quando uma flor cresce onde ninguém plantou?
PAPAI sorriu.
— Exatamente. Também falo quando o vento muda de direção, quando um amigo liga do nada, quando uma lembrança te faz chorar e depois sorrir. Eu escrevo nas entrelinhas da vida.
Treinar o olhar, afinar a alma
Nos dias seguintes, Nick começou a prestar mais atenção. Um elogio inesperado na escola. Um pôr do sol que parecia pintado só para ela. A paz que chegava sem explicação.
— PAPAI, isso também é uma resposta? — perguntou certa noite.
PAPAI assentiu, preparando chá para os dois.
— Eu respondo em tudo, o tempo todo. Mas você precisa treinar o olhar, afinar a alma. Quando o coração fica mais atento, percebe que Eu nunca fico em silêncio. Só mudo a linguagem.
Nick tomou o chá e olhou para o céu escurecendo.
— Então… aquele envelope branco não estava vazio. Estava cheio de coisas que só os olhos certos conseguem ver.
— Isso mesmo, minha pequena. Algumas respostas não vêm com frases. Vêm com presença.

Comentários