As Pegadas na Areia: Confiando em Papai nos Momentos Difíceis




Quando as nuvens escondem o sol

Nick caminhava com passos lentos pela praia. O céu estava cinza, e o vento soprava como se quisesse empurrar tudo para longe — inclusive seus pensamentos. Os últimos dias tinham sido difíceis. Notas baixas, amigos distantes, silêncio em casa… tudo parecia confuso demais.

— Por que tudo fica assim de repente, PAPAI? — ela perguntou sem encará-lo. Seus pés afundavam levemente na areia úmida enquanto os dois seguiam lado a lado.

PAPAI a olhou com ternura, como sempre fazia. Ele segurava suas sandálias nas mãos e caminhava descalço, sem pressa.

— Às vezes, as nuvens aparecem para esconder o sol… mas o sol nunca deixou de estar lá, filha — disse, olhando para o horizonte.

Nick fez um som curto, um quase-suspiro. Ela não queria respostas poéticas. Queria uma explicação que colocasse tudo de volta no lugar.

— Mas se o sol está lá e eu não consigo sentir, de que adianta?

PAPAI sorriu. Um daqueles sorrisos que aquecem mesmo em dias nublados.

— Anda comigo um pouco mais — ele disse, estendendo a mão. Ela segurou, mesmo sem vontade de conversar.


As pegadas e o silêncio de Deus

Foram caminhando. Os pés marcavam a areia molhada. Em silêncio. Só o som das ondas quebrando ao fundo.

Depois de alguns minutos, PAPAI parou e apontou para trás.

— Olha as nossas pegadas. O que você vê?

Nick virou-se devagar.

No começo do caminho, lado a lado: duas marcas claras na areia. Mas, conforme os passos voltavam no tempo, algo estranho acontecia.

— Aqui… só tem uma pegada — ela disse, franzindo o cenho.

— E quando isso começou?

— Acho que… foi ali, onde tudo começou a desmoronar. Quando as coisas começaram a dar errado…

Ela parou. Olhou para PAPAI.

— Você me deixou sozinha?

PAPAI a envolveu em um abraço calmo, forte, cheio de paz.

— Não, minha pequena. Quando você não conseguia mais andar, eu te carreguei no colo. Essas pegadas são minhas. Eu nunca deixo você sozinha. Especialmente nos dias difíceis.


Confiar é descansar mesmo sem entender

Nick sentiu a respiração prender por um segundo. Seus olhos se encheram d’água.

— Mas por que eu não percebi?

— Porque a dor fala alto. Mas o amor fala constante. Eu não me afasto. Nem por um segundo.

Ela afundou o rosto no peito dEle, sem vergonha de chorar.

Ali, entre o vento e o sal, Nick percebeu que confiar nem sempre é entender. Às vezes, é só aceitar que PAPAI está lá, mesmo quando os olhos não enxergam e o coração grita por respostas.

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