A Janela Fechada e o Céu Aberto



 Nick não sabia quando começou, mas sentia. Como se todas as janelas estivessem fechadas.

A do quarto, a da alma, a do mundo.

Naquela manhã, o céu parecia mais cinza do que azul, e os pingos na vidraça ritmavam com seu peito inquieto. PAPAI estava ali — como sempre esteve — encostado na parede do corredor, braços cruzados, olhos calmos.

- Você está quieta, minha pequena - Ele disse, como quem observa mais do que pergunta.

Ela apenas assentiu, a testa colada no vidro frio.

- Eu orei. Esperei. E… nada. Nenhuma resposta. Nenhum sinal.

O sussurro dela parecia vir mais da alma do que da garganta.

PAPAI se aproximou devagar e ficou ao lado dela. 

- Às vezes, o silêncio é a linguagem das janelas.


Quando Tudo se Fecha, Ainda Há Céu


Nick virou o rosto.

- O Senhor está tentando me ensinar alguma coisa?

PAPAI sorriu, mas seus olhos estavam sérios. 

- Sempre estou. Mas nem tudo é lição. Às vezes, é só cuidado.

Ela não entendeu. Ele sabia.

- O que você faria se a janela se abrisse agora?

- Eu fugiria.

PAPAI se abaixou, olhando bem nos olhos dela.

- E se fosse perigoso do lado de fora, e você ainda não estivesse pronta? Às vezes, o que parece prisão é proteção.

Nick engoliu em seco.


O Céu Sempre Está Aberto


Ele apontou para cima.

- Você viu o céu hoje?

Ela ergueu o olhar devagar.

Por entre nuvens carregadas, um pedaço de azul resistia. Estava lá o tempo todo.

- Mesmo com a janela fechada, o céu continua aberto. A comunhão entre nós nunca depende da circunstância. Fale comigo por aqui, minha pequena. Pelo céu.

Ela encostou a cabeça no ombro Dele.

- Acha que eu vou conseguir confiar assim pra sempre?

PAPAI a abraçou.

- A confiança não começa com força. Começa com rendição.


Fé Além da Janela


A fé de Nick não explodiu naquele instante. Mas algo se moveu. Uma pequena coragem se acendeu no peito — não para abrir a janela, mas para esperar com ela fechada.

Porque mesmo quando as janelas se trancam… o céu continua aberto.

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