Era uma manhã comum. Mas Nick percebeu logo: a xícara azul não estava no armário.
- PAPAI, cadê minha xícara?
PAPAI olhou com um meio sorriso.
- Ela sumiu?
- Sumiu. - Ela cruzou os braços. - Ela é a única que deixa o chá com gosto de abraço.
- Talvez não seja o chá - Ele disse, com voz misteriosa.
Nick começou a vasculhar os armários, as gavetas, até a lavanderia. E quanto mais procurava, mais lembrava dos dias em que segurava a xícara quente com as duas mãos e sentia que tudo estava certo.
O Vazio que Fala
- Por que sentimos tanto quando algo tão pequeno some, PAPAI?
- Porque o que nos toca de verdade, mesmo pequeno, molda o que somos - Ele respondeu, estendendo a mão para ajudar a procurar debaixo do sofá.
Nick parou.
- Será que eu gostava mais da rotina do que da xícara?
- Ou será que a xícara virou símbolo de algo maior?
Ela suspirou.
- Como assim?
- Às vezes, perdemos coisas simples só para lembrarmos de prestar atenção no valor que elas carregavam.
A Presença que Não Se Compra
No fim do dia, a xícara azul apareceu. Estava no galho de uma árvore do quintal — Nick tinha colocado para “sentir o vento” na tarde anterior.
Ela riu.
- Quem faz isso com uma xícara?
- Alguém que enxerga vida até no barro - PAPAI disse com doçura.
Nick lavou a xícara com cuidado. E antes de enchê-la de chá, olhou para PAPAI e disse:
- Hoje, mais do que o chá… eu precisava de Ti.
Ele sorriu.
- Então, missão cumprida.
Nem Sempre É Sobre o Que Some, Mas Sobre o Que Fica
Nick entendeu que os objetos, por mais simples, podem ensinar sobre perda, valor e saudade. Mas a presença de PAPAI… essa sim, não tem substituto.

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