Acordar e não ouvir PAPAI cantarolando no quintal.
Tomar café sem ouvir suas palavras doces.
Ler a Bíblia e não sentir aquele calor conhecido.
Nick estava assustada.
- PAPAI? - ela chamava pelos cantos da casa.
Nada. Nenhum som. Nenhum passo. Nenhuma resposta.
O coração dela apertava. Pela primeira vez desde que se lembrava, parecia que Ele não estava ali.
Mas a toalha molhada no varal… ainda estava lá. A xícara de chá… quente. A planta da varanda… regada.
O Silêncio Também Diz Algo
Nick sentou no chão do quarto.
- Por que o Senhor não fala comigo?
Então percebeu algo. O silêncio Dele não era ausência. Era presença contida. Era como uma mãe que observa o filho montar o quebra-cabeça sozinho — pronta para ajudar, mas desejando que ele tente.
A porta do quarto se abriu. PAPAI entrou, sentou-se ao lado dela e ficou quieto.
- Eu achei que o Senhor tivesse ido embora…
Ele a olhou com ternura.
- Só parei de responder com palavras. Mas nunca deixei de estar.
Quando a Maturidade Chega, a Voz Muda
Nick apoiou a cabeça no ombro Dele.
- Então… crescer na fé também é saber que o Senhor está mesmo quando não fala?
- Sim - Ele respondeu com um suspiro profundo. - Porque se você me ouvisse o tempo todo, confiaria mais na minha voz do que em mim.
Ela sorriu.
- Então o silêncio é confiança?
- É amor maduro - PAPAI disse. - O tipo de amor que já não precisa provar nada.
Ele Ainda Está Aí
Nick entendeu que a voz que ela tanto amava ouvir não havia sumido — apenas havia sido substituída por gestos, cuidados e presença silenciosa.
E quando ela parou de tentar ouvir, finalmente voltou a perceber.

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