Nick entrou em casa e fechou a porta devagar, abafando o som dos fogos de artifício e da música alta que vinha da rua. O bairro estava em polvorosa. Luzes piscavam em todas as janelas, e o cheiro de churrasco invadia o ar, misturado com risadas altas. Era véspera de Natal.
Mas, ao contrário da alegria lá fora, Nick sentia um aperto no peito. Ela caminhou até a cozinha, onde encontrou PAPAI terminando de assar um pão simples. A casa estava tranquila, iluminada apenas por uma luz amarela suave.
PAPAI se virou ao ouvir os passos dela e sorriu.
— Chegou cedo, pequena. A festa lá fora parece animada.
Nick não conseguiu sorrir de volta. Ela se sentou à mesa, apoiou o queixo nas mãos e ficou observando Ele.
— É, está animada... — ela disse, com a voz embargada. — Mas está tudo errado, PAPAI.
Ele limpou as mãos no avental e puxou uma cadeira para perto dela, sentando-se com calma.
— O que está errado?
— Tudo! — Nick levantou a cabeça, e seus olhos estavam marejados. — Eu estava vindo pra cá e vi todo mundo correndo. Comprando presentes, brigando por vagas no estacionamento, preparando banquetes enormes... Eles dizem que é Natal. Dizem que é a "magia do Natal". Mas, PAPAI... ninguém falou o Seu nome. Ninguém!
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Nick.
— É o Seu aniversário! É o dia de celebrar o Senhor! Mas parece que o Senhor é a única pessoa que não foi convidada. Eles estão festejando entre eles, trocando presentes entre eles, e o Senhor... o Senhor está aqui, sozinho na cozinha. Isso dói, PAPAI. Dói muito ver que esqueceram de quem é a festa.
PAPAI estendeu a mão e enxugou a lágrima do rosto de Nick. Seu olhar não tinha mágoa, nem raiva. Tinha uma profundidade de amor que Nick nunca conseguia compreender totalmente.
— Eu sei que dói em você, minha menina, porque você Me ama. — A voz Dele era mansa. — Mas não fique triste por Mim. Eu nunca precisei de holofotes para Ser quem Eu Sou.
— Mas é injusto! — insistiu Nick. — Usam o Seu dia para tudo, menos para o Senhor.
— Nick, lembra de como Eu cheguei ao mundo? — PAPAI perguntou, segurando as mãos dela. — Eu não nasci no palácio de Herodes, nem no meio da agitação de Jerusalém. Eu nasci na periferia, no silêncio, onde quase ninguém estava olhando. Só os pastores, que estavam acordados no escuro, e uns poucos sábios que prestaram atenção nos sinais, Me encontraram.
Nick fungou, prestando atenção.
— O mundo sempre fez barulho, Nick. O mundo sempre se distraiu com as luzes erradas. Mas o Meu Natal nunca foi sobre multidões gritando meu nome por costume. O Meu Natal acontece no coração de quem, no meio de toda essa correria, para, respira e diz: "Eu lembro de Ti. Eu te amo".
Ele sorriu e apontou para o peito dela.
— Você lembrou. Você veio pra casa ficar Comigo. Para Mim, essa é a festa. Enquanto houver um coração como o seu, que se entristece com o meu esquecimento e volta correndo para a Minha presença, o Natal ainda existe.
Nick sentiu o peso da tristeza dar lugar a um conforto quente. Ela olhou para o pão sobre a mesa e para o rosto bondoso de PAPAI.
— Feliz aniversário, PAPAI — ela sussurrou.
— Obrigado por vir à Minha festa, filha. — Ele respondeu, partindo o pão. — Agora, vamos comer. A melhor companhia Eu já tenho.
É fácil olharmos para o Natal moderno e sentirmos uma indignação justa. Vemos o consumismo engolir a manjedoura e o Papai Noel roubar a cena do Cordeiro. Sentimos, como Nick, a dor de ver o Aniversariante ser ignorado em Sua própria celebração.
Mas a resposta de Deus para nós é a mesma que deu para Nick: Ele não se abala com o desprezo do mundo, porque Ele nunca buscou a glória do mundo. O Natal de Jesus continua acontecendo no segredo, na intimidade, longe dos holofotes.
Não deixe que a frieza do mundo congele seu coração. Se ao seu redor ninguém lembra D'ele, seja você a memória viva. Se ninguém O convidou, convide-O você. Faça da sua casa, da sua ceia e, principalmente, da sua vida, o lugar onde Jesus é o convidado de honra.
Se você parou tudo hoje apenas para dizer "Eu Te amo, Jesus", então o Natal cumpriu seu propósito.

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