Quando o palco se torna maior que o Altar

garota e pai na cozinha vendo um cartaz

Nick estava voltando do colégio, quando viu um cartaz de uma superprodução que logo chamou sua atenção. Se tratava de um evento com música, dança e teatro; parecia algo muito grandioso mesmo. Ao ver o endereço ficou um pouco surpresa, pois era em uma igreja do bairro. Chegando em casa, jogou a mochila no sofá e foi até a cozinha ver PAPAI.

— Hey, pequena, como foi sua aula hoje? — PAPAI estava animado, para variar estava cozinhando algo que tinha um cheiro delicioso.

— Foi tudo bem, PAPAI. Olhe isso que eu achei pelo caminho. — Nick mostrou o cartaz, e ficou olhando fixamente para PAPAI para ver sua reação.

PAPAI olhou atentamente o cartaz e não esboçou nenhuma reação nítida.

— É um belo cartaz.

— PAPAI, o Senhor viu aonde é? — Nick estava inconformada.

— Sim.

— E o Senhor não vai falar nada?

— O que você quer que eu fale, Nick?

— Eu sei lá, é na Sua casa que irão fazer isso. Pra mim, tudo bem fazerem esse tipo de coisa para atrair pessoas para lá, mas o Senhor viu esse cartaz? Não fala nada sobre o Senhor! O Senhor que é o centro! Então qual o propósito de atraírem pessoas para lá se não é para falar do Senhor? É só pra consumirem nas lojinhas que abriram? Essa história não é nova, PAPAI...

PAPAI respirou fundo, baixou o fogo da panela e limpou as mãos em um pano de prato, virando-se totalmente para ela.

— Nick, eu entendo sua frustração. O zelo pela minha casa te consome, não é? — Ele disse suavemente, puxando uma cadeira para que ela se sentasse. — Você olha para as luzes e para o marketing e sente que Eu fui deixado na sombra.

— Exatamente! — Nick cruzou os braços. — Parece que o Senhor virou um detalhe, uma nota de rodapé no evento "deles". Eles vendem entretenimento, não Evangelho.

— Minha menina, o problema nunca foi a arte, a música ou a celebração. Eu criei todas as cores e todos os sons. — PAPAI colocou a mão sobre a de Nick. — O problema acontece quando o palco se torna maior que o altar.

Nick ficou em silêncio, absorvendo aquela frase.

— Muitas vezes — continuou PAPAI — na tentativa de serem "relevantes" para o mundo, alguns esquecem que o que o mundo mais precisa não é de um show melhor, mas de uma Verdade que liberta. Eles tentam enfeitar o pão da vida com coberturas artificiais porque, no fundo, têm medo de que apenas o "Pão" não seja suficiente para atrair as multidões.

— E isso não te deixa triste? — perguntou Nick, com a voz mais branda.

— Me deixa esperando. Esperando que percebam que luzes artificiais nunca substituirão a Luz do Mundo. Onde há muito barulho para entreter a carne, muitas vezes há pouco silêncio para ouvir o Espírito. Mas não deixe que isso amargue seu coração, Nick. Você sabe quem Eu Sou. E quem realmente Me busca, não precisa de um cartaz brilhante para me encontrar; precisa apenas de um coração quebrantado.

Nick suspirou, sentindo o peso da indignação sair e dar lugar à paz. O cheiro da comida de PAPAI parecia agora ainda melhor, lembrando-a de que o alimento verdadeiro estava ali, na simplicidade daquela comunhão.


Vivemos tempos onde a linha entre o culto e o espetáculo tem se tornado cada vez mais tênue. É fácil cairmos na armadilha de achar que precisamos "vender" Jesus com grandes produções, como se Ele fosse um produto que precisa de um bom marketing para ser aceito.

Mas a conversa de Nick com PAPAI nos lembra de uma verdade essencial: o Evangelho é suficiente.

Quando removemos a centralidade de Cristo para colocar em evidência o talento humano, a estrutura ou o entretenimento, estamos construindo um evento social, não um culto. O propósito da Igreja não é encher assentos com consumidores de entretenimento, mas sim apresentar a Cruz que transforma vidas.

Que possamos ter o discernimento de Nick para notar quando o foco está desviado, mas principalmente, que tenhamos o coração de PAPAI: pacientes, mas firmes na certeza de que nada substitui a essência da Presença de Deus.

Que hoje o seu "cartaz" aponte apenas para um nome: Jesus.

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