Quando as más notícias se acumulam

Uma sala com uma poltrona, um sofá maior uma mesa e um livro aberto


Após receber mais uma notícia ruim, Nick se jogou no sofá. Largada, triste e profundamente cansada. Aquela era apenas mais uma de uma série de notícias ruins que ela vinha recebendo nas últimas semanas. Por menor que fosse o problema atual, somando a todos os outros até agora, o peso parecia insuportável. Ela simplesmente queria se enterrar em um buraco, assim como os avestruzes fazem com a cabeça, e esperar a tempestade passar.

Em sua mente, passava um turbilhão de coisas que ela poderia ter feito diferente para tentar mudar o rumo da situação, mas o que adiantava agora? A sensação era de que nada mais daria certo, ou que aquela tão esperada boa notícia nunca chegaria.

Todos os dias ela acordava com a esperança renovada, pensava: "Hoje vai dar certo!". E quando menos esperava... "PUF". Não foi dessa vez. Hoje era um daqueles dias em que ela simplesmente não queria mais nada. Estava tão exausta emocionalmente que, se alguém chegasse dizendo "acabou o café", ela, certamente, iria desmoronar em lágrimas.

PAPAI observava de rabo de olho. Ele foi entrando na sala devagar, com aquela calma que só Ele tem, e se sentou em sua poltrona preferida. Colocou seus óculos e abriu um livro grosso, de capa gasta pelo tempo, que aparentava ser bem "velho". E ficou ali, em silêncio, lendo algumas páginas.

Nick apenas existia, olhando fixamente para o nada, perdida em seus pensamentos cinzentos. O silêncio da sala não era vazio, era preenchido por uma presença.

De repente, PAPAI pigarreou suavemente e, em voz alta, leu: 

— "No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, pois EU venci o mundo."

Nick acordou de seu devaneio e virou o rosto devagar em direção a Ele. 

— PAPAI, eu nem vi o Senhor entrar... 

— Eu percebi, minha pequena. — Ele respondeu com um sorriso terno nos lábios.

Nick continuou introvertida, segurando o choro na garganta. PAPAI permaneceu ali. De certa forma, apenas saber que Ele estava na poltrona ao lado era o suficiente para Nick não desmoronar.

Lentamente, Nick se levantou e foi até a poltrona Dele. Sentou-se no tapete aos pés de PAPAI e encostou a cabeça em Seu joelho, como fazia quando era criança. Ele fechou o livro, colocou-o na mesa lateral e acariciou os cabelos dela. 

— Pode chorar, Nick. Não precisa ser forte agora.

Ao ouvir aquela permissão, o choro que estava preso saiu. Nick se aconchegou melhor, subiu para o colo Dele sem dizer nenhuma palavra e, ao abraçá-lo, o choro baixinho a tomou por completo.

Depois de alguns minutos, quando as lágrimas já haviam molhado a camisa de PAPAI, ela sussurrou com a voz embargada: 

— Eu estou tão cansada, PAPAI. Parece que é uma coisa atrás da outra. Quando acho que levantei, vem outra onda e me derruba. Por que é tão difícil?

PAPAI suspirou, aquele suspiro que carrega toda a compaixão do universo, e limpou uma lágrima do rosto dela com o polegar. 

— Eu sei, minha pequena. O texto que li não diz que vocês não teriam problemas. Ele diz que "no mundo tereis aflições". A dor, o cansaço, as notícias ruins... elas fazem parte da caminhada em um mundo que ainda não é o seu Lar.

Ele fez uma pausa, olhando nos olhos dela. 

— Mas você ouviu a segunda parte? "Tende bom ânimo". 

— Como ter ânimo quando tudo dá errado? — Nick questionou, incrédula. 

— O ânimo não vem da ausência de problemas, Nick. Vem da certeza de quem está segurando a sua mão enquanto os problemas acontecem. Eu venci o mundo. Isso significa que nenhuma dessas notícias ruins tem a palavra final sobre a sua vida. A palavra final é Minha. E a minha palavra é Vida, e vida em abundância.

Nick respirou fundo. O cheiro de PAPAI era de paz. O problema lá fora não tinha mudado, a notícia ruim ainda existia, mas o peso no peito dela havia diminuído.

— Você não precisa carregar o mundo nas costas, pequena — continuou PAPAI. — Deixe o mundo Comigo, Eu já o venci. Você só precisa confiar e descansar. Amanhã o sol vai nascer de novo, e as Minhas misericórdias se renovarão com ele.

Nick fechou os olhos, sentindo-se segura. 

— Obrigada, PAPAI. Acho que eu só precisava lembrar que não estou sozinha nessa trincheira. 

— Nunca esteve, e nunca estará. Agora, que tal aquele café? Eu faço para você.

Nick sorriu, um sorriso fraco, mas verdadeiro. 

Muitas vezes, não é uma grande tragédia isolada que nos derruba, mas a soma de pequenos "nãos", o cansaço acumulado e aquela sensação de que estamos nadando contra a maré. Assim como a Nick, nós temos dias em que a esperança parece fazer um "PUF" e sumir. E está tudo bem admitir isso. Não somos feitos de ferro.

O versículo que o PAPAI citou (João 16:33) é, ao mesmo tempo, um choque de realidade e um abraço profundo. Jesus foi honesto conosco: Ele não prometeu que a caminhada seria um mar de rosas. Ele disse, com todas as letras: "no mundo tereis aflições".

A chave, porém, está na segunda parte. Ele não nos mandou ter "força" sozinhos, Ele nos mandou ter "bom ânimo". Por quê? Porque a vitória final não depende da nossa capacidade de resolver problemas, mas do fato de que Ele já venceu.

Hoje, se o fardo estiver pesado, não tente carregar o mundo. O descanso não é a ausência de problemas, é a certeza da presença de Deus em meio a eles.

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