Nick estava lavando a louça do almoço com PAPAI, quando começou a se perder em pensamentos confusos. A espuma do detergente escorregava por suas mãos, mas sua mente estava longe dali, presa em questionamentos. Virou para PAPAI e perguntou, inocentemente:
— PAPAI, porque o Senhor permitiu que eu tomasse aquela decisão, se eu ia ter que fazer algo que não gosto ao invés do que eu realmente gosto?
PAPAI, nem um pouco surpreso, sabia exatamente do que Nick estava falando. Afinal, já estava sondando seus pensamentos antes mesmo dela abrir a boca. Ele enxugou um prato com calma, colocou-o na pilha e olhou profundamente nos olhos dela.
— Algumas vezes, eu dou o que você precisa e não o que você quer, minha pequena. E isso, lá na frente, irá fazer sentido. Você só precisa confiar.
— Eu confio. — Disse Nick, com o rosto ainda confuso, soltando um suspiro pesado. — Eu só queria entender melhor certas coisas. Parece que estou dando passos para trás.
— Eu sei, minha pequena. — Disse PAPAI com um sorriso carinhoso.
Nick o encarou, com seus olhos grandes e negros, como se estivesse esperando PAPAI dizer tudinho o que ela queria saber, ali, naquele momento.
PAPAI pegou um copo que ainda estava com algumas manchas difíceis e voltou a ensaboá-lo.
— Nick, olhe para este copo. Você quer ele limpo e pronto para usar, certo? Mas para ele brilhar, ele precisa passar pela esponja, pela água e pelo processo de limpeza. Se eu apenas o guardasse no armário como estava, ele não serviria para o propósito dele.
Nick assentiu, começando a entender onde Ele queria chegar.
— O lugar onde você está agora — continuou PAPAI — não é o seu destino final. É a sua escola. Você me pediu maturidade, me pediu para estar pronta para grandes coisas. Mas grandes coisas exigem uma base forte. O que você chama de "fazer o que não gosta", eu chamo de "fortalecimento de caráter".
— Então... eu não estou perdendo tempo? — Nick perguntou, com honestidade.
— Comigo, nenhum tempo é perdido. Tudo é aproveitado. — PAPAI sorriu, entregando o copo agora brilhante para ela enxugar. — Eu estou ensinando você a ser fiel no pouco, para que possa governar sobre o muito. Se você fizer apenas o que "gosta", sua obediência será baseada no seu conforto, e não no meu amor. Eu preciso que você aprenda a florescer onde foi plantada, mesmo que o solo pareça seco agora.
Nick pegou o copo e o secou. O peso em seu peito começou a se dissipar. Ela não tinha todas as respostas sobre o futuro, mas tinha a certeza de quem estava segurando sua mão no presente.
— Obrigada, PAPAI. — Ela sussurrou.
PAPAI deu uma piscadela e terminaram de lavar a louça.
Muitas vezes, confundimos a vontade de Deus com o nosso próprio conforto. Achamos que estar no "centro da vontade de Deus" significa fazer apenas o que amamos e o que nos dá prazer imediato. Mas o crescimento real acontece justamente quando somos desafiados a fazer o que é difícil, o que exige renúncia e paciência.
Assim como a louça precisa da ação "abrasiva" da esponja para ficar limpa, nosso caráter muitas vezes precisa de situações que não gostamos para ser polido. O lugar onde você está hoje pode não ser o seu destino final, mas é a sala de aula necessária para que você suporte o peso das bençãos que virão amanhã. Não despreze os pequenos começos e nem as tarefas que parecem "menores". Tudo é treino.
Tudo o que fizerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens."(Colossenses 3:23)

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