Nick estava sentada na mesa da cozinha escrevendo sem parar em seu notebook, extremamente concentrada. PAPAI olhou aquilo com curiosidade. Nick não tinha notado sua presença.
Ele pigarreou uma vez, tentando chamar atenção, mas ela nem se mexeu. Uma segunda vez, Ele chamou suavemente, nada. Na terceira vez, PAPAI tocou o ombro de Nick com carinho e disse:
— Filha?
Nick saiu de seu transe, pegou na mão de PAPAI, deu um beijo carinhoso e o olhou nos olhos.
— Oi PAPAI! — Sorriu.
— Estava tão concentrada, minha pequena, tentei chamar sua atenção por duas vezes. — Ele riu, um riso manso que sempre a acalmava.
— Ah PAPAI, me desculpe! Eu estava fazendo as coisas do projeto.
— Posso participar disso com você?
— É claro que pode, o Senhor sempre pode!
— É que às vezes sua mente está tão longe que parece que não tem espaço para mim.
Nick se sentiu culpada por isso. Ela nunca parou para pensar que, em alguns momentos de "hiper-foco", ela simplesmente não se lembrava de PAPAI. Ao pensar sobre isso, seus olhos marejaram e ela só conseguiu balbuciar:
— Me perdoe, PAPAI!
— Minha pequena, não se sinta culpada por isso. Você é humana e Eu sei bem como sua mente funciona. O que Eu quero que você aprenda hoje é apenas respirar fundo, ir mais devagar. Você vai dar conta de tudo o que precisa, mas não precisa correr uma maratona para isso. Eu estou aqui com você e sei o quanto tem se dedicado; não precisa de toda essa corrida.
A pergunta que ecoou no silêncio da cozinha foi: provar para quem?
Seria para os outros? Para mostrar que ela era capaz? Ou seria para si mesma, em uma tentativa desesperada de silenciar aquela voz interna que insiste em dizer que "ainda não é o suficiente"?
PAPAI não estava ali para cobrar o relatório do projeto ou os prazos de Nick. Ele estava ali pela companhia.
— Que tal uma pausa? Temos chocolate quente! - PAPAI balançou a caneca térmica e sorriu.
— Ah eu adoraria, PAPAI! - Nick sorriu de volta.
Quase sempre, transformamos nossos projetos e sonhos em tribunais onde somos, ao mesmo tempo, réus e carrascos. Corremos para entregar o melhor, para sermos os mais produtivos, para não decepcionar as expectativas alheias. Mas, nessa maratona exaustiva, acabamos deixando de lado a única presença que nos valida sem exigir nada em troca.
PAPAI te convida hoje ao descanso: Respire fundo, a ansiedade tende a nos roubar do agora; diminua o passo, a pressa não é sinônimo de eficiência, mas muitas vezes é sintoma de insegurança e avalie suas motivações, se o seu esforço nasce do medo de não ser aceito, ele sempre será pesado demais.
Você já é aceito. Você já é amado. O projeto vai acontecer, o trabalho será feito, mas você não precisa perder sua paz no processo.
Afinal, se Ele está no controle, por que você ainda está correndo como se estivesse sozinho?

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