O Tempo da Cura e a Tosse Teimosa

pai e filha no sofá lendo um livro - desenho em aquarela digital


Nick ainda se recuperava da gripe, e alguns sintomas ainda insistiam em ficar por um pouco mais de tempo. A sala estava com a luz baixa, e o som da TV baixinho servia apenas como pano de fundo para a tarde preguiçosa.

— PAPAI, quanto tempo mais vou ter que ficar com essa tosse? Não aguento mais! — a voz dela saiu arranhada, seguida de mais um acesso irritante.

PAPAI, pacientemente, lhe trouxe um copo de água.

— Minha pequena, o pior já passou.

— Eu sei... mas é muito chato a cada 3 palavras eu tossir.

PAPAI riu carinhosamente e afagou o cabelo da menina.

— Vamos ter um pouco mais de paciência, minha pequena. Já está acabando.

Nick pegou o copo com as duas mãos e bebeu um gole devagar, fazendo uma leve careta.

— Água de novo... eu queria estar lá fora brincando. Queria tomar sorvete.

— O sorvete vai ter que esperar a garganta sarar de vez — respondeu PAPAI, sentando-se na beirada do sofá e ajeitando a coberta sobre os pés da menina. — O nosso corpo é como uma máquina muito inteligente. Quando um bichinho entra, ele trabalha dobrado para expulsar o invasor. Essa tosse é só o seu corpo fazendo a faxina final.

— É uma faxina muito barulhenta — resmungou Nick, cruzando os braços e afundando no travesseiro.

— É verdade. Mas o que você acha de aproveitarmos que estamos "presos" aqui dentro para enganar o tempo?

— Enganar o tempo? Como a gente faz isso? — ela perguntou, os olhos ganhando um pequeno brilho de curiosidade.

— Com histórias. Quando a gente foca em outra coisa, o relógio anda mais rápido e a tosse até esquece de aparecer.

Ele se ajeitou no sofá, puxando a menina para perto de forma que a cabeça dela encostasse em seu ombro.

— Era uma vez uma garotinha corajosa que precisava derrotar o Terrível Monstro da Tosse...

Nick deu um sorriso fraco.

— E como ela derrota ele? Com um xarope mágico fedido?

— Exatamente. E com um escudo indestrutível feito de cobertores quentinhos e muito descanso.

A menina puxou a coberta de lã até a altura do queixo, abraçando o próprio escudo.

— Tá bom. Conta mais.

E assim a tarde foi passando. O som áspero da tosse ainda aparecia de vez em quando, interrompendo a narrativa, mas agora se misturava com as risadas curtas de Nick e a voz grave e tranquilizadora de PAPAI. A reta final da gripe deixou de ser apenas uma espera cansativa para se tornar um momento só deles. A cura, afinal, sempre chega mais rápido quando embalada com um pouco de paciência e muito afeto.

Algumas coisas levam tempo para serem curadas, mas a cura é real! Só precisamos estar dispostos a suportar mais um pouquinho para os "sintomas" sumirem de vez. Que tal ao invés de focar no incomodo presente, fazer igual eles fizeram e "enganar o tempo?", sim, tente focar naquilo que pode ser feito nessa reta final e com isso o tempo irá passar rapidinho e a cura chegará! 

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