Quando deixamos que as atitudes dos outros controlem a nossa paz

uma mesa cheia de fotos para serem organizadas - desenho em aquarela digital


Nick estava organizando as coisas do projeto que ela participava, ela sempre organizava tudo com muita dedicação e carinho pois aquilo ali era muito especial para ela. Por mais que não tivesse nenhum valor material, por mais que ela não fosse ganhar nenhum reconhecimento ou qualquer coisa assim... ela realmente gostava de fazer aquele pequeno trabalho e gostava de participar daquilo. Havia uma sensação de pertencimento que ela adorava.

PAPAI ficava feliz em ver a filha feliz. Ele se achegou e ficou apenas observando, quando Nick percebera Sua Presença, ergueu os olhos.

— Ei, PAPAI! Faz tempo que está aqui? 

— Não muito — PAPAI sorriu. 

— Por que não disse nada? Eu estava tão concentrada aqui que não percebi — Nick estava constrangida.

— Não se preocupe, minha pequena, eu gosto de olhar a sua alegria fazendo esse trabalho.

Nick o encarou com uma cara cética e depois deu uma risada nervosa.

— Sabe, PAPAI, eu queria muito que os outros que participam disso, gostassem tanto quanto eu e não fizessem só por obrigação, ou esperando algo em troca... Eu sei que não deveria me afetar, mas eu fico muito brava quando vejo alguns burlando regras para tentar ter benefícios a mais...

PAPAI puxou uma cadeira e sentou-se ao lado dela. Seu olhar era compreensivo, sem nenhum traço de julgamento, o que fez com que a tensão nos ombros de Nick diminuísse um pouco.

— É natural que você se sinta assim — Ele começou, a voz calma preenchendo o ambiente. — Quando colocamos nosso coração em algo, queremos que os outros respeitem esse espaço com a mesma reverência. Mas, me diga uma coisa: a atitude deles muda o que esse trabalho significa para você?

Nick parou de mexer nos papéis e pensou por um instante.

— Não... — ela respondeu, hesitante. — O que eu sinto continua sendo especial. Mas me desanima ver que o propósito principal parece se perder no meio do egoísmo.

— E muitas vezes se perde mesmo, para eles — PAPAI enfatizou, tocando levemente na mão da garota. — Cada pessoa está em um degrau diferente da própria caminhada. Alguns ainda precisam da muleta da obrigação ou da isca da recompensa para dar o primeiro passo. Eles ainda não descobriram a liberdade que existe em fazer algo simplesmente pelo prazer de servir e de pertencer, como você descobriu.

Nick suspirou, absorvendo aquelas palavras. A raiva que sentia antes parecia estar se dissolvendo, dando lugar a uma pontada de compaixão.

— Então, eu devo simplesmente ignorar quando eles tentam burlar as regras? — perguntou ela, buscando clareza.

— Você deve proteger o seu coração para que a atitude do outro não roube a sua alegria — explicou PAPAI. — As regras e as consequências pertencem a quem administra o projeto. A você, pertence a dádiva de fazer isso com amor. Se você permitir que a frustração com o erro alheio guie os seus sentimentos, você estará entregando a eles o controle da sua paz.

Um pequeno sorriso voltou a se formar no rosto de Nick. Ela olhou para a mesa, para os itens que estava organizando com tanto cuidado. Não era sobre os outros, afinal. Era sobre o que aquilo construía dentro dela.

— Acho que entendi, PAPAI. O meu pertencimento não depende da intenção deles.

— Exatamente, minha pequena. O verdadeiro valor de uma obra nunca está nos aplausos que ela arranca ou nos benefícios que ela traz, mas na pureza das mãos de quem a constrói. Continue fazendo com carinho. Eu estou vendo, e isso é o que importa.

Nick acenou com a cabeça, sentindo-se muito mais leve. Ela voltou a organizar as coisas do projeto, mas dessa vez, não havia nem sombra de frustração em seu coração. Apenas paz.

Muitas vezes deixamos as atitudes dos outros controlar a nossa paz. Que possamos olhar mais para nós mesmos, nosso coração e nossos projetos pessoais e deixarmos os outros lidarem com as próprias coisas. Se eles terão consequências ou benefícios com as escolhas deles, não cabe a nós. A parte que nos cabe é a que podemos fazer, é aquela que esta em nossas mãos! Faça tudo como se fosse para o Senhor, e no tempo certo você colherá os frutos!

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