Quando o orgulho se instala no coração

um celular em cima da mesa da varanda - desenho em aquarela digital


Nick estava fazendo suas tarefas, sentada na varanda, ouvindo uma canção bonita... estava em paz com ela mesma. PAPAI chegou e se sentou perto dela, deu uma piscadela e um sorriso. 

— Que dia bonito, não é mesmo pequena? 

— É sim, PAPAI! — Nick concordou retribuindo o sorriso e voltando para a tela do laptop. 

— Porque você não chama a Joana para um lanche mais tarde? Faz tempo que não a vejo. 

Nick ficou sem graça... Ela e Joana estavam sem se falar fazia alguns dias. 

— Ela deve ter compromisso, PAPAI. 

— Não custa tentar, não é mesmo? 

Nick encarou PAPAI, ela não sabia se dizia a verdade, ou se ficava calada porque Ele já sabia a verdade, se tentava simplesmente ignorar o assunto... PAPAI vendo a confusão nos olhos da menina, pigarreou. 

— Acho que tem mais coisa aí do que você me disse, minha pequena. Quer conversar?

Nick deu de ombros. Ela suspirou pesadamente e, por fim, abaixou a tela do laptop. A brisa suave que antes trazia tanta paz agora parecia sussurrar as verdades que ela tentava abafar.

— Foi uma bobagem, na verdade — Nick começou, a voz baixa, quase se perdendo no som das folhas balançando ao vento. — Um desentendimento pequeno que virou uma bola de neve. Eu fiquei magoada com algo que ela disse, ela não gostou da minha reação. O orgulho falou mais alto e, de repente, o silêncio se instalou entre nós.

PAPAI não a interrompeu. Seu olhar era de uma compreensão infinita, daquele tipo que abraça a gente por dentro sem precisar de nenhum toque. Ele esticou as pernas, olhando para o horizonte colorido pelo fim de tarde, e deixou que Nick esvaziasse o peito.

— O silêncio pode parecer um muro muito seguro, pequena — Ele disse com a voz mansa, ponderando cada palavra. — Mas muros não apenas mantêm os outros do lado de fora; eles também nos trancam do lado de dentro. Você acha que essa distância está fazendo bem para o seu coração?

Nick abaixou a cabeça, engolindo em seco. A verdade nua e crua é que a falta da amiga doía. Fazia falta ter com quem dividir as piadas internas, os desabafos no meio da tarde e até os momentos de tédio.

— Não... — ela admitiu, sentindo os olhos arderem levemente. — Mas eu não sei como dar o primeiro passo, PAPAI. E se ela me ignorar? E se ela ainda estiver com raiva?

— Dar o primeiro passo é sempre um ato de coragem, não uma garantia de resultado — PAPAI sorriu, um sorriso que trazia um calor reconfortante para a alma. — O perdão e a reconciliação começam quando a gente decide soltar o peso que não fomos feitos para carregar. O que ela vai fazer com a sua mensagem é a parte dela. A sua parte é libertar a si mesma.

Nick sentiu um alívio imediato, como se uma mochila pesada tivesse sido tirada de suas costas ali mesmo na varanda. Ela olhou para PAPAI, que deu mais uma piscadela encorajadora.

Com um meio sorriso no rosto, Nick levantou a tela do laptop novamente. Mas, dessa vez, não para terminar as tarefas que estava fazendo. Ela abriu o aplicativo de mensagens, buscou o nome de Joana e digitou:

"Oi, Jo. Sinto falta das nossas conversas. Posso te pagar um café mais tarde?"

Ao clicar em enviar, ela encostou a cabeça na cadeira. A canção bonita que continuava tocando ao fundo pareceu, finalmente, fazer todo o sentido de novo.

É incrível como pequenas bobagens mudam algumas situações, as vezes até para sempre. Não deixei que o orgulhe se instale em seu coração e tire de vc pessoas tão especiais. Tudo nessa vida é passageiro, então aproveite o pouco que lhe resta com as pessoas que ama, elas não são perfeitas, mas valem a pena.

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