PAPAI estava na cozinha, como de costume, quando deu uma olhada para a sala e viu Nick sentada olhando pela janela. Ela estava tão entorpecida nos pensamentos que qualquer um notaria que ela estava bem longe dali, deixando apenas o corpinho.
Era um dia chuvoso e fresco, a chuva batia suavemente na janela e Nick a observava sem de fato enxergá-la.
PAPAI secou as mãos, tirou o velho avental e foi se sentar ao lado da menina. Sua presença fez Nick voltar para a sala de estar.
— Oi, PAPAI! — Oi, minha pequena. Essa chuvinha é boa, não é mesmo? — Sim, PAPAI. Eu adoro quando chove... mas ao mesmo tempo fico triste... Algumas coisas vêm à minha mente e eu não consigo evitar...
— Que tipo de coisas? — ele perguntou, a voz grave e reconfortante preenchendo o pequeno espaço entre eles.
Nick suspirou, apoiando o queixo nas mãos enquanto observava o vidro embaçado.
— Lembranças. De quando as coisas pareciam mais simples. A chuva faz o mundo lá fora parar, e aí parece que tudo o que está aqui dentro da minha cabeça resolve fazer barulho. É como se esse tempo cinza trouxesse saudade de coisas que eu nem sei explicar direito.
PAPAI sorriu de forma compreensiva. Ele conhecia bem aquela sensação. A melancolia dos dias cinzentos era uma velha conhecida de muitas pessoas. Ele passou o braço ao redor dos ombros da filha, puxando-a para um abraço de lado.
— Sabe, Nick, a chuva tem mesmo esse poder. Ela lava as ruas, rega a terra, mas também nos obriga a olhar para dentro. Quando o sol está brilhando, nós corremos para fora, nos distraímos com o mundo. Mas a chuva... a chuva nos convida a sentar e conversar com nós mesmos. E nem sempre é uma conversa fácil.
A menina encostou a cabeça no ombro do pai, sentindo o cheiro familiar de café fresco que sempre o acompanhava à tarde.
— Mas e se os pensamentos forem tristes? — ela sussurrou.
— Então nós os deixamos chover também — respondeu ele, com doçura e simplicidade. — As emoções precisam de espaço. Não tem problema sentir tristeza, saudade ou confusão de vez em quando. Só não podemos deixar que a tempestade dure para sempre a ponto de nos paralisar. Depois de um tempo, a gente enxuga as lágrimas, faz um chá bem quente e espera as nuvens passarem.
Nick olhou novamente para a janela. As gotas agora pareciam menos pesadas, escorrendo pelo vidro de forma rítmica. O peso no seu peito pareceu diminuir, sendo aos poucos substituído pelo calor do abraço do pai.
— Acho que eu aceito aquele chá bem quente agora — disse ela, com um sorriso tímido surgindo no canto dos lábios.
PAPAI deu uma risada suave e bagunçou de leve o cabelo dela.
— É para já. E talvez eu tenha assado alguns biscoitos que combinam perfeitamente com esse clima.
Os dois se levantaram juntos, deixando a janela e os pensamentos cinzentos para trás. A chuva continuava a cair lá fora, mas, dentro de casa, o tempo já começava a clarear.
Quando "chove"dentro de nós, precisamos entender que aquilo precisa ser sentido naquele momento para que possamos deixar ir de fato. Quando simplesmente ignoramos nossas emoções, muitas vezes, elas voltam "piores" para nos assombrar. Então, que você possa sentir o que precisa e convidar PAPAI para que Ele te ajude a não ficar preso nessas emoções e seguir em frente!

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