Quando o medo quer nos sufocar

Menina de costas olhando um palco, uma plateia enorme - desenho em aquarela digital

Nick chegou em casa do colégio, limpou os sapatos, jogou a mochila no sofá e foi até a cozinha encontrar PAPAI. Deu-lhe um abraço apertado. Automaticamente, PAPAI soube que algo não estava certo, não pelo abraço, mas pelo modo como Nick o abraçara... Ele a olhou de rabo de olho e viu o semblante da menina meio cabisbaixo.

— Então, como foi seu dia, minha pequena? 

— Ah... foi normal — Nick respondeu sem olhar para Ele. 

— Hum... tem certeza de que não aconteceu nada que queira compartilhar?

Nick suspirou.

— Tudo bem, quando quiser podemos conversar. Vá lavar as mãos, o jantar está quase pronto.

Nick se levantou meio contrariada, foi lavar as mãos. Quando voltou, ela quis fazer uma pergunta:

— PAPAI, por que é que temos medo?

Ele diminuiu o fogo do fogão, enxugou as mãos no avental e puxou uma cadeira para se sentar de frente para ela. O silêncio na cozinha foi preenchido por alguns segundos apenas pelo borbulhar da panela. Ele olhou no fundo dos olhos da menina com aquela paciência que acalma qualquer tempestade.

— O medo, minha pequena, é como o painel de alertas de um carro, ou o alarme de uma casa. Ele nos avisa que há algo valioso que precisamos proteger, ou nos alerta sobre um perigo real no caminho. Sentir medo não é um defeito, é um sinal de que nos importamos com o que pode acontecer. — Ele fez uma pausa, deixando as palavras assentarem. — Mas sabe qual é o grande problema?

Nick balançou a cabeça negativamente, prestando total atenção.

— O problema não é o alarme tocar. O problema é quando deixamos que o barulho dele nos paralise. O medo é um péssimo motorista. Se você entregar o volante da sua vida para ele, ele nunca vai te deixar sair da garagem.

Nick olhou para as próprias mãos, brincando com a barra da camisa.

— Hoje na escola... eu tive medo. Medo de tentar algo novo e não ser boa o bastante. Medo de falhar e todo mundo rir de mim. Acabei não fazendo nada.

PAPAI sorriu, um sorriso que parecia abraçar a alma de Nick de dentro para fora, e segurou a mão dela.

— A coragem não é a ausência do medo, Nick. A coragem é ir em frente mesmo quando as pernas tremem e o coração acelera. E quer saber de um segredo? Você nunca precisa provar que é "boa o bastante" para o mundo, desde que saiba quem você é para mim. Quando você entende o quanto é amada, o amor lança fora esse medo que paralisa. Você pode falhar, e está tudo bem. A falha é só um degrau para o aprendizado, não o fim da escada.

Nick respirou fundo, e o peso que parecia estar sobre seus ombros desde a hora que cruzou a porta da sala finalmente desapareceu. O cheiro do jantar agora parecia mais convidativo.

— Acho que estou com fome — ela disse, finalmente abrindo um sorriso verdadeiro.

— Que bom — Ele respondeu, levantando-se para voltar ao fogão. — Porque o jantar está servido. E amanhã, você terá um novo dia para tentar outra vez.

É normal sentirmos medo, o que não é normal é deixar com que ele nos paralize. Que possamos confiar que PAPAI esta no controle de tudo e que Ele sempre nos ajudará em toda e qualquer situação.

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