Nick olhava fixamente para a janela da cozinha, ela ficou ali por quase uma hora, quando PAPAI foi puxar assunto.
— Ei, minha pequena, seus pensamentos estão muito barulhentos hoje, não? — PAPAI deu uma piscadela e sorriu.
A menina saiu dos seus devaneios e suspirou fundo.
— É PAPAI, não consigo evitar...
— Tudo bem, vamos lá, me conte o que está acontecendo. — PAPAI voltou totalmente a atenção para a menina.
— PAPAI... eu não quero ocupar seu tempo com mais um de meus dramas... Eu imagino o quanto deve ser tedioso a maioria das vezes que escuta a minha voz eu estar aqui apenas lamentando...
— Minha pequena, não sei de onde você tirou isso, mas é tudo coisa da sua cabeça, eu estou aqui justamente para ouvir você, e eu amo o som da sua voz, quer lamentando ou agradecendo! — PAPAI sorria genuinamente.
Nick sentiu seu coração quentinho com aquelas palavras, pelo menos alguém no mundo inteiro amava o som da sua voz.
— Está bem... Eu sei que não devemos fazer nada esperando que a pessoa aja como nós agiríamos no lugar dela... mas realmente me machuca ver que algumas pessoas não têm a mesma reciprocidade comigo... Ontem me abri com uma colega que achei que fosse minha amiga, mas agora sei que ela é apenas uma colega mesmo... todas as vezes que ela se abriu comigo, por pouco que fosse, eu sempre me doei por completo e tentei fazer o que podia para deixá-la melhor...
Ela fez uma pausa, engolindo a seco antes de continuar.
— Ontem, quando foi minha vez, ela apenas foi educada, mas bem sucinta... eu não sei ao certo o que eu esperava, mas me senti negligenciada com o jeito... Sei lá, PAPAI, eu só queria que algumas coisas não me afetassem como elas afetam, eu só queria não me importar com muitas coisas que eu me importo, eu só queria... sei lá... ser outra pessoa...
PAPAI ouviu atentamente. Ele não a interrompeu, não minimizou sua dor e nem ofereceu respostas prontas. Apenas deixou que a frustração de Nick encontrasse um espaço seguro para existir.
— Minha pequena — a voz d'Ele era mansa e trazia um conforto inexplicável —, entendo o quanto isso dói. A frustração de não receber aquilo que entregamos com tanto carinho é um peso muito difícil de carregar no peito. Mas me diga uma coisa... se você fosse "outra pessoa", como você diz, você acha que o mundo ao seu redor seria um lugar melhor?
Nick franziu a testa, confusa com a pergunta, e limpou uma lágrima fujona no canto do olho.
— Não sei. Mas talvez eu sofresse menos. Talvez eu não me decepcionasse tanto com a falta de empatia dos outros.
— Talvez — PAPAI concordou, balançando a cabeça devagar. — Mas o mundo também teria menos luz. O seu dom de se importar, de se doar, de mergulhar na dor do outro para tentar ajudar... isso é algo raro, Nick. É um reflexo lindo da forma como você foi criada.
Ele puxou uma cadeira e sentou-se mais perto dela.
— Nem todos têm a mesma profundidade que você, minha pequena. Algumas pessoas são como poças d'água: você só consegue molhar os pés. Outras são como oceanos. Você não pode exigir que uma poça lhe dê a imensidão de um mar, entende? O fato de sua colega ter sido sucinta não significa necessariamente que ela não se importa, mas sim que ela deu o que tinha capacidade para dar naquele momento. As pessoas lidam com as próprias limitações.
Nick respirou fundo, absorvendo aquela analogia. A sensação de rejeição e o aperto no peito pareciam ceder um pouco, dando lugar à compreensão.
— Então eu devo simplesmente aceitar a falta de reciprocidade e continuar me machucando? — ela perguntou, a voz já mais calma.
— Não. Você deve aprender a proteger o seu coração sem endurecê-lo. — PAPAI esticou a mão e tocou de leve no ombro dela. — Continue sendo amor. Continue se importando intensamente, porque isso é quem você é. Mas ajuste as suas expectativas. Entregue o seu melhor porque isso faz parte da sua essência, e não porque você espera um retorno sob medida. E, quando se sentir vazia ou negligenciada por aqueles que não conseguem retribuir, venha até mim. Eu sempre terei a profundidade que você procura para transbordar o seu coração novamente.
Nick olhou para a janela novamente, mas dessa vez, a paisagem parecia mais clara. Ela não precisava ser outra pessoa. Precisava apenas saber onde ancorar as suas expectativas.
Controlar nossas expectativas é sempre algo muito complicado, mas com o tempo e com a graça de Deus conseguimos. Sempre que tiver suas expectativas frustradas por causa de algo ou alguém, lembre-se que o Criador do Universo esta apenas uma oração de distancia, ainda que a oração seja "Me ajude, PAPAI" Ele virá, Ele sempre virá confortar o seu coração! Coloque sua fé e esperança apenas em PAPAI e sempre terá paz em seu coração.

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